Aftas na boca: por que aparecem e como aliviar a dor
Aftas são úlceras superficiais dolorosas na mucosa bucal. A maioria desaparece sozinha em 7 a 14 dias. Causas incluem trauma, estresse, deficiências nutricionais e alterações imunológicas. Aftas frequentes ou que não cicatrizam merecem avaliação.
O que é uma afta
Afta (úlcera aftosa recorrente) é uma ferida dolorosa na mucosa da boca — interior das bochechas, lábios, língua, assoalho ou palato mole. Tem aparência característica: fundo amarelado ou esbranquiçado, bordas avermelhadas e bem definidas.
Não é infecciosa — não é herpes labial (que aparece no lábio externo e é causado por vírus) e não contém pus. A causa exata ainda não é completamente compreendida, mas envolve resposta imune local exacerbada.
É muito comum: estima-se que 20 a 30% da população tenha aftas recorrentes. Aparecem mais em mulheres e em pessoas jovens.
Causas e fatores desencadeantes
Trauma local é uma das causas mais comuns: mordida acidental na bochecha, borda cortante de restauração, aparelho ortodôntico, escovação agressiva. O trauma cria uma porta de entrada para a reação inflamatória.
Estresse emocional e privação de sono são fatores desencadeantes bem documentados. Muitas pessoas relatam que aftas surgem em períodos de maior pressão.
Deficiências nutricionais — especialmente ferro, ácido fólico, vitamina B12 e zinco — estão associadas à recorrência de aftas. Dietas restritivas ou problemas de absorção intestinal podem manter esse ciclo. Sensibilidade ao glúten (doença celíaca) e a alimentos como nozes e especiarias também pode estar envolvida.
Alívio da dor e cicatrização
A maioria das aftas desaparece espontaneamente em 7 a 14 dias sem tratamento específico. Para aliviar a dor, géis anestésicos tópicos com benzocaína ou lidocaína aplicados diretamente sobre a lesão proporcionam alívio rápido.
Enxaguantes com clorexidina a 0,12% podem reduzir a dor e favorecer a cicatrização por reduzir a carga bacteriana local. Solução salina morna (água com sal) tem efeito semelhante e pode ser feita em casa.
Evitar alimentos ácidos, picantes ou abrasivos enquanto a afta está ativa reduz a irritação. Comer do lado oposto à ferida ajuda.
Tratamentos para aftas recorrentes
Quando as aftas são frequentes (mais de três episódios por mês) ou muito incapacitantes, o dentista pode indicar tratamentos mais específicos: corticoides tópicos (acetato de triamcinolona em orabase) para reduzir a inflamação, ou laserterapia de baixa intensidade, que alivia a dor imediatamente e acelera a cicatrização.
A investigação de deficiências nutricionais é indicada em casos recorrentes. A suplementação de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico pode reduzir significativamente a frequência das aftas quando a deficiência é confirmada.
Em casos graves de estomatite aftosa recorrente, pode ser necessário encaminhamento para estomatologista para investigação de doenças sistêmicas associadas.
Quando a 'afta' não é afta: sinal de alerta
Úlcera que não cicatriza em 14 a 21 dias, que cresce progressivamente, que tem bordas endurecidas, que sangra espontaneamente ou que está associada a nódulos no pescoço não é uma afta comum — pode ser sinal de câncer bucal.
O câncer de boca frequentemente se inicia como uma úlcera indolor ou com dor mínima, o que leva muitas pessoas a ignorá-la por semanas ou meses. O diagnóstico precoce é fundamental para o prognóstico.
A regra geral: qualquer lesão na boca que não cicatrizar em duas semanas merece avaliação pelo dentista ou estomatologista.
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