Chupeta atrapalha os dentes da criança? Entenda os riscos e como agir
A chupeta, quando usada até os 2 anos de idade, raramente causa danos permanentes aos dentes. A partir dos 3 anos, o uso contínuo aumenta o risco de mordida aberta, palato estreito e desvio da mordida. O ideal é retirar o hábito de forma gradual antes dos 3 anos, com orientação do odontopediatra.
O que a chupeta faz na boca da criança
A chupeta exerce uma pressão constante sobre os dentes e o palato (céu da boca). Quando o uso é prolongado e frequente, essa pressão pode deslocar os dentes da frente para cima e para fora, criando um espaço entre os dentes superiores e inferiores mesmo com a boca fechada — o que os profissionais chamam de mordida aberta anterior.
O palato também pode ser afetado: a pressão lateral da chupeta tende a estreitá-lo, tornando-o mais alto e em formato de ogiva. Esse formato dificulta a acomodação correta da língua e pode contribuir para a respiração bucal.
Os efeitos dependem da frequência, da duração e da intensidade do uso. Uma criança que usa chupeta apenas para dormir tem risco menor do que aquela que a mantém na boca durante todo o dia.
Até que idade a chupeta é segura?
Até os 2 anos, o uso da chupeta raramente causa alterações permanentes. Os tecidos ósseos e dentários ainda são muito moldáveis nessa fase, e as estruturas tendem a se corrigir sozinhas após a retirada do hábito.
Entre os 2 e os 3 anos, o risco começa a aumentar. Se o hábito persistir além dos 3 anos, as alterações na mordida ficam mais difíceis de se autocorrigir e podem exigir acompanhamento ortodôntico mais cedo.
A recomendação geral dos odontopediatras é iniciar o processo de retirada da chupeta entre 18 meses e 2 anos, de forma gradual e respeitando o ritmo da criança.
Como retirar a chupeta sem trauma
A retirada da chupeta deve ser gradual e positiva. Estratégias abruptas — como jogar fora sem aviso ou cobrir com substâncias amargas — podem gerar ansiedade e levar a criança a substituir a chupeta pelo dedo, que causa problemas similares.
Uma abordagem eficaz é reduzir progressivamente o tempo de uso: primeiro fora de casa, depois durante o dia, mantendo apenas para dormir e, por último, eliminando totalmente. Conversas simples e honestas com a criança, conforme sua idade, ajudam no processo.
Envolver a criança na decisão — por meio de histórias, rituais simbólicos ou simplesmente combinando com ela — costuma ter resultados melhores. O odontopediatra pode orientar estratégias individualizadas conforme o perfil da criança.
Chupeta fisiológica faz diferença?
Chupetas chamadas de 'fisiológicas' ou 'ortodônticas' têm bico achatado ou em formato assimétrico, projetado para exercer menos pressão sobre os dentes e o palato. Elas podem ser uma opção mais adequada do que as redondas convencionais.
No entanto, nenhum modelo de chupeta elimina completamente o risco de alterações se o uso for prolongado e intenso. O tempo de uso é o fator mais relevante.
Se tiver dúvidas sobre qual modelo escolher ou sobre os efeitos da chupeta na boca do seu filho, o odontopediatra da Clínica Leveze pode avaliar e orientar conforme o caso.
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