Dente quebrado na raiz: causas, diagnóstico e opções de tratamento
Fratura na raiz de um dente é uma situação séria que nem sempre tem solução simples. O prognóstico depende de onde a fratura ocorreu, se os fragmentos estão separados e se há infecção.
Como ocorre uma fratura na raiz?
A raiz do dente está dentro do osso e protegida pela gengiva — por isso fraturas radiculares muitas vezes só são detectadas em radiografia, sem causa aparente para o paciente.
As causas mais comuns são: trauma direto (queda, acidente, pancada), tratamento de canal prévio com instrumento que criou fragilidade, dente com grande restauração sem coroa de cobertura (que concentra forças nas paredes do dente) e bruxismo severo.
Fraturas radiculares longitudinais (que seguem o longo eixo da raiz) são as mais problemáticas — geralmente indicam extração, pois os fragmentos não se unem e a infecção se instala rapidamente no espaço entre eles.
Fratura horizontal versus fratura longitudinal
Na fratura horizontal (transversal), a raiz se parte em dois fragmentos — um superior, que permanece no canal, e um inferior, que fica no osso. O prognóstico depende de onde a fratura ocorreu: quanto mais perto da coroa, pior; quanto mais próxima do ápice (ponta da raiz), melhor.
Fraturas no terço apical (ponta da raiz) com fragmentos estáveis e sem infecção podem ser monitoradas — o osso se reorganiza ao redor da fratura e o dente pode funcionar por muitos anos.
Fraturas longitudinais (rachadura ao longo da raiz) geralmente indicam extração, pois a separação cria bolsas infecciosas que não cicatrizam e destroem o osso ao redor.
Sintomas de fratura radicular
A fratura radicular pode ser completamente assintomática, descoberta em radiografia de rotina. Quando há sintomas, os mais comuns são: dor ao mastigar (especialmente ao morder e soltar), sensibilidade localizada, leve mobilidade do dente e, se houver infecção, inchaço e fístula (pequeno canal que drena pus para a gengiva).
A dor 'ao soltar o dente' ao morder — chamada de 'dor rebote' — é um sinal clínico muito sugestivo de fratura vertical.
Radiografias periapicais padrão podem não mostrar fraturas verticais. A tomografia volumétrica de feixe cônico (CBCT) tem sensibilidade muito superior para esse diagnóstico.
Quando o dente pode ser mantido?
Fraturas horizontais no terço médio ou apical, sem deslocamento dos fragmentos e sem infecção, têm chance de tratamento conservador: contenção (ferulização com fibra de vidro ou fio de aço) por 4 semanas a 4 meses, dependendo da localização.
Se o dente está desvitalizado (necrose pulpar) e há fratura horizontal, o tratamento de canal pode ser feito no fragmento coronário e o apical monitorado.
Raiz fraturada com coroa preservada é avaliada caso a caso — às vezes é possível realizar extrusão ortodôntica do fragmento radicular para que uma nova coroa possa ser instalada.
Extração e planejamento de reabilitação
Quando a extração é inevitável, o planejamento da reabilitação começa antes mesmo de tirar o dente: avaliação do volume ósseo disponível para implante, necessidade de enxerto ósseo imediato no momento da extração e posicionamento provisório.
O implante pode ser instalado imediatamente após a extração em muitos casos (implante imediato), especialmente quando não há infecção ativa.
Na Clínica Leveze, no Barreiro (BH), fraturas radiculares são avaliadas com radiografia e, quando necessário, tomografia, para que o paciente receba um diagnóstico preciso e um plano de tratamento claro antes de qualquer decisão.
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