Dentes sensíveis: causas, diagnóstico e tratamento
A sensibilidade dentária ocorre quando a dentina fica exposta — por desgaste do esmalte, retração gengival ou cárie. O tratamento depende da causa e pode incluir desde pastas dessensibilizantes até procedimentos clínicos.
Por que os dentes ficam sensíveis
O dente é formado por três camadas: esmalte (externa e dura), dentina (intermediária, com pequenos túbulos que conduzem estímulos) e polpa (interna, onde estão os nervos). Quando o esmalte ou o cemento radicular se desgasta e a dentina fica exposta, estímulos como frio, calor, doce e pressão chegam diretamente ao nervo — causando aquela dor rápida e aguda.
A sensibilidade pode ser pontual (um dente específico) ou generalizada (vários dentes ao mesmo tempo). Isso já ajuda o dentista a identificar a causa: sensibilidade generalizada sugere bruxismo, erosão ácida ou escovação traumática; sensibilidade em um único dente pode indicar cárie, fratura ou retração gengival localizada.
Não existe uma causa única. O diagnóstico correto é fundamental para que o tratamento seja eficaz.
Causas mais comuns
Escovação com força excessiva ou uso de escovas de cerdas duras: desgasta o esmalte e empurra a gengiva para baixo, expondo a raiz. É uma das causas mais frequentes e mais evitáveis.
Bruxismo (ranger ou apertar os dentes): desgasta o esmalte das bordas e superfícies oclusais. Quem range os dentes à noite muitas vezes só percebe pela sensibilidade diurna ou pela dor na ATM ao acordar.
Erosão ácida: consumo frequente de refrigerantes, sucos cítricos, vinagre ou vômitos recorrentes (bulimia) dissolvem o esmalte progressivamente. Clareamentos dentários — caseiros ou de consultório — também podem causar sensibilidade temporária.
Quando a sensibilidade é sinal de algo mais sério
Se a dor é prolongada, espontânea (aparece sem estímulo) ou latejante, pode ser sinal de comprometimento pulpar — a polpa inflamada ou infectada. Nesses casos, a sensibilidade não é apenas 'dentina exposta' e pode exigir tratamento de canal.
Sensibilidade em dente que já recebeu restauração pode indicar microinfiltração ou fratura da restauração. Vale retornar ao dentista para avaliação.
Dor localizada ao morder pode sugerir fratura de cúspide — invisível ao olho nu, mas detectável com testes clínicos específicos.
Tratamentos para sensibilidade dentária
Para casos leves, pastas dessensibilizantes com nitrato de potássio ou fluoreto estanhoso usadas por quatro a seis semanas já trazem alívio significativo. O mecanismo é bloquear os túbulos dentinários ou reduzir a excitabilidade do nervo.
No consultório, o dentista pode aplicar verniz fluoretado, dessensibilizantes à base de oxalato de potássio ou resinas de baixa viscosidade para selar os túbulos expostos. Para casos relacionados a retração gengival, pode ser indicada a cirurgia mucogengival para cobrir a raiz exposta.
O tratamento do bruxismo com placa de mordida noturna protege os dentes de desgastes futuros. Ajuste da dieta ácida e técnica de escovação são orientações simples que fazem grande diferença.
Como prevenir a sensibilidade
Usar escova de cerdas macias e técnica de escovação gentil, em movimentos circulares ou verticais. Trocar a escova a cada três meses ou quando as cerdas estiverem deformadas.
Evitar consumo excessivo de alimentos e bebidas ácidas. Quando consumir, enxaguar com água em seguida — mas não escovar imediatamente, pois o esmalte fica temporariamente amolecido pelo ácido e pode ser mais facilmente abrasado.
Manter consultas regulares ao dentista permite identificar o desgaste precocemente, antes que a sensibilidade se instale.
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