Ferida na boca que não cicatriza: causas e sinais de alerta
Aftas comuns cicatrizam em até duas semanas. Se uma ferida na boca persiste além desse prazo, não tem causa óbvia ou está crescendo, é fundamental procurar um dentista para descartar lesões pré-malignas ou câncer bucal.
Causas comuns de feridas na boca
Aftas (úlceras aftosas): são as feridas bucais mais frequentes. Surgem como úlceras rasas, esbranquiçadas com bordas avermelhadas, dolorosas. Causas incluem estresse, trauma local, deficiências de B12, ferro ou ácido fólico, e sensibilidade alimentar. Cicatrizam em 7 a 14 dias sem deixar cicatriz.
Herpes labial: causado pelo vírus HSV-1, começa com formigamento e evolui para vesículas (bolhas) agrupadas. Pode aparecer na boca e nos lábios. Cicatriza em 10 a 14 dias.
Trauma mecânico: morder a bochecha, prótese mal adaptada, aparelho ortodôntico ou escovação agressiva podem criar feridas que costumam cicatrizar em poucos dias quando a causa é removida.
Quando a ferida é um sinal de alerta
Uma ferida que não cicatriza em 14 dias, que é indolor (lesões malignas frequentemente não doem no início), que está endurecida ao toque, que sangra espontaneamente ou que está crescendo progressivamente merece avaliação imediata.
O câncer bucal pode surgir em qualquer região da boca: língua (borda lateral é o local mais comum), assoalho da boca, palato, gengiva, lábios e bochechas. Manchas avermelhadas (eritroplasia) têm potencial maligno maior do que manchas brancas.
Fatores de risco para câncer bucal
Tabagismo: é o principal fator de risco. Cigarro, charuto, cachimbo e tabaco sem fumaça (rapé) aumentam muito a probabilidade de lesões malignas.
Álcool em excesso: potencializa o efeito cancerígeno do tabaco. A combinação eleva o risco em até 15 vezes em relação a não fumantes e não bebedores.
Exposição solar sem proteção: afeta principalmente o lábio inferior.
HPV: o vírus papiloma humano, especialmente o tipo 16, está associado ao câncer orofaríngeo.
Imunossupressão: pacientes transplantados ou com HIV têm risco aumentado de lesões bucais malignas.
Como o dentista avalia uma ferida persistente
O dentista realiza o exame clínico da mucosa oral sistematicamente — não apenas do dente reclamado. Lesões suspeitas são documentadas e acompanhadas por até duas semanas. Se não houver regressão, indica-se biópsia excisional ou incisional para diagnóstico histopatológico.
O diagnóstico precoce do câncer bucal muda radicalmente o prognóstico: detectado no estágio inicial, a taxa de sobrevivência em cinco anos supera 80%. Em estágios avançados, cai abaixo de 30%.
Atenção ao autoexame bucal
Uma vez por mês, diante do espelho com boa iluminação, examine: lábios (por dentro e por fora), bochechas, gengivas, palato (céu da boca), assoalho (embaixo da língua — levante-a), lateral e dorso da língua.
Qualquer área avermelhada, branca, ulcerada ou de textura diferente que persista por mais de duas semanas deve ser mostrada ao dentista.
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