Língua presa no bebê: entenda o freio lingual e quando a cirurgia é necessária
O freio lingual (língua presa ou anquiloglossia) ocorre quando a faixa de tecido que prende a língua ao assoalho da boca é curta ou muito anterior, limitando os movimentos da língua. Quando interfere na amamentação, pode ser tratado ainda na maternidade. Nos casos mais leves, o acompanhamento observa se há impacto na fala antes de indicar cirurgia.
O que é o freio lingual e como identificar
O freio lingual é uma pequena faixa de mucosa que conecta a parte inferior da língua ao assoalho da boca. Em condições normais, ela é fina e posicionada de forma a permitir ampla movimentação da língua.
Na anquiloglossia, esse freio é curto, espesso ou inserido muito próximo à ponta da língua, restringindo os movimentos. Ao tentar elevar a língua, a ponta fica com formato de coração. Ao protruir, a língua pode parecer bífida.
O diagnóstico é clínico e pode ser feito pelo pediatra, enfermeiro, fonoaudiólogo ou dentista já nos primeiros dias de vida. Protocolos padronizados como o Hazelbaker e o ATLFF ajudam a classificar a gravidade.
Impacto na amamentação
A língua tem papel central na amamentação: ela cobre a gengiva inferior e ordena ritmicamente o leite do seio. Quando o freio é restritivo, o bebê não consegue fazer esse movimento adequadamente, o que pode causar dor intensa na mãe, lesões nos mamilos, pega superficial, mamadas muito longas e ganho de peso insatisfatório do bebê.
Em casos assim, a frenectomia — procedimento cirúrgico simples de liberação do freio — pode ser indicada ainda nos primeiros dias ou semanas de vida. O procedimento é rápido, realizado com tesoura cirúrgica ou laser, e o bebê pode mamar logo em seguida.
Nem todo freio curto interfere na amamentação. A indicação de cirurgia é baseada na avaliação funcional — ou seja, no impacto real que o freio está causando — e não apenas no aspecto anatômico.
Freio lingual e desenvolvimento da fala
Quando a anquiloglossia não é tratada na infância e o bebê supera a amamentação sem maiores dificuldades, a questão reaparece muitas vezes no momento da aquisição da fala. Sons que exigem elevação da língua — como /l/, /r/, /t/, /d/, /n/ — podem ficar comprometidos.
Antes dos 3 anos, a fonoterapia pode ser tentada como primeira abordagem. Se, após acompanhamento fonoaudiológico, os sons não se corrigem, a frenectomia pode ser indicada.
Em crianças maiores e adultos, o procedimento costuma ser feito com anestesia local e a recuperação é rápida. A fonoterapia após a cirurgia é essencial para reaprender os movimentos da língua.
Freio labial superior: o que também pode afetar
O freio labial superior é a faixa que une o lábio de cima à gengiva. Quando inserido muito baixo, entre os incisivos centrais, pode causar um espaço (diastema) entre os dois dentes superiores e dificultar a higiene da gengiva nessa região.
Esse freio costuma ser monitorado durante o desenvolvimento. A cirurgia geralmente é indicada após a erupção dos caninos permanentes, quando é possível avaliar se o espaço fechará espontaneamente ou precisará de intervenção.
A avaliação do freio labial faz parte do exame de odontopediatria de rotina. Qualquer dúvida sobre freios orais pode ser esclarecida em consulta na Clínica Leveze, no Barreiro.
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