Periodontite: o que é, riscos e tratamento
Periodontite é uma infecção grave das estruturas de suporte do dente — gengiva, ligamento e osso. Diferente da gengivite, ela causa destruição óssea irreversível e pode levar à perda dos dentes se não tratada.
Diferença entre gengivite e periodontite
A gengivite é a inflamação limitada à gengiva — reversível e sem dano ósseo. Quando não tratada, evolui para periodontite: a infecção avança para o ligamento periodontal e o osso alveolar, que sustentam o dente no lugar.
Esse processo de destruição óssea é irreversível. O osso perdido não se regenera espontaneamente. Por isso a periodontite é considerada uma das principais causas de perda dentária em adultos no mundo.
A evolução de gengivite para periodontite não é inevitável, mas é comum quando o tratamento é adiado ou a higiene bucal permanece inadequada por tempo prolongado.
Causas e fatores que aceleram a doença
A causa fundamental é a resposta inflamatória do organismo às bactérias presentes no biofilme subgengival — placa acumulada abaixo da margem da gengiva. Algumas cepas bacterianas são mais agressivas e aceleram a destruição tecidual.
Tabagismo é o principal fator de risco modificável: fumantes têm risco até sete vezes maior de desenvolver periodontite grave. O tabaco reduz a vascularização gengival, prejudica a resposta imune local e mascara sinais como sangramento.
Diabetes mal controlada tem relação bidirecional com a periodontite: o diabetes agrava a doença periodontal e a infecção periodontal desestabiliza o controle glicêmico. Outros fatores incluem estresse, uso de certos medicamentos e predisposição genética.
Sintomas da periodontite
Os sintomas podem ser sutis no início. Sangramento gengival persistente, mau hálito que não melhora com a escovação e gengiva que parece ter 'baixado' expondo mais a raiz do dente são sinais comuns.
Com a progressão, surgem bolsas periodontais — espaços entre dente e gengiva mais profundos que o normal, onde as bactérias se acumulam. O paciente pode notar mobilidade dental (dente bambando), dor ao mastigar e sensibilidade.
Em estágios avançados, o dente pode se deslocar de posição, criar diastemas (espaços) onde antes não havia e, eventualmente, cair. A dor intensa é menos comum do que se imagina — muitos casos avançados cursam sem dor significativa.
Riscos sistêmicos da periodontite
A periodontite não é apenas um problema bucal. Pesquisas mostram associação entre doença periodontal grave e risco aumentado de doenças cardiovasculares, AVC, complicações na gravidez, pneumonia aspirativa e dificuldade no controle do diabetes.
O mecanismo envolve a entrada de bactérias e mediadores inflamatórios na corrente sanguínea por meio das bolsas periodontais. A inflamação crônica local contribui para inflamação sistêmica.
Isso reforça a importância de tratar a periodontite não só pelo bem dos dentes, mas pela saúde geral do paciente.
Tratamento periodontal
O tratamento de base é a raspagem e alisamento radicular (RAR), procedimento que remove o tártaro e o biofilme bacteriano de dentro das bolsas periodontais. Pode ser feito com anestesia local e geralmente é dividido em quadrantes.
Após a raspagem, a maioria dos pacientes passa por reavaliação em seis a oito semanas. Bolsas que não responderam ao tratamento inicial podem exigir cirurgia periodontal para acesso e limpeza mais profundos.
O tratamento periodontal é contínuo: o paciente que já teve periodontite precisa de manutenção periódica — geralmente a cada três ou quatro meses — para evitar recidiva. A doença não tem 'cura' no sentido de que o osso perdido não volta, mas é totalmente controlável.
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