Raio-X no dentista durante a gravidez: o que dizem as evidências
O raio-X odontológico com uso de avental de chumbo é considerado seguro durante a gravidez. A dose de radiação de uma radiografia periapical odontológica é extremamente baixa e muito inferior ao limiar que pode causar danos ao feto. Ainda assim, exames de rotina são preferencialmente adiados para o pós-parto; urgências justificam a realização.
A radiação do raio-X odontológico em perspectiva
O medo do raio-X durante a gravidez é compreensível, mas é preciso contextualizá-lo com dados concretos. A dose de radiação de uma radiografia periapical odontológica digital (a mais comum no consultório) é da ordem de 1 a 8 microsieverts (µSv).
Para comparação, a dose máxima considerada segura para o feto durante toda a gestação é de 50.000 µSv (50 mSv). Uma única radiografia periapical representa menos de 0,0002% desse limite.
A exposição diária à radiação de fundo natural (cósmica e terrestre) à qual todos estamos expostos gira em torno de 8 µSv por dia. Ou seja, um raio-X periapical equivale, em termos de dose, a um dia de vida normal.
O papel do avental de chumbo
O avental plumbífero (de chumbo) é utilizado como medida adicional de proteção para blindar o abdome e a pelve durante o exame. Com ele, praticamente nenhuma radiação primária ou secundária atinge o útero.
A dose que chegaria ao feto sem o avental já seria ínfima — com ele, é virtualmente zero. O uso do avental é padrão e deve ser sempre disponibilizado à gestante.
Protetor de tireoide também pode ser usado para proteger a glândula tireoide, embora a área de exposição do raio-X odontológico seja bem delimitada à região da boca.
Quando o raio-X é indicado durante a gravidez
Exames de rotina sem indicação clínica específica são preferencialmente adiados para o pós-parto. No entanto, quando há necessidade clínica — diagnóstico de infecção, avaliação de fratura, planejamento de extração urgente —, a radiografia está indicada e é segura.
Negar uma radiografia necessária pode resultar em tratamento inadequado ou adiamento de problema que piora com o tempo. O risco de uma infecção dentária não diagnosticada é muito maior do que o do exame com proteção.
Na prática, muitos dentistas optam por abordagem clínica cuidadosa durante a gestação e solicitam radiografias apenas quando o diagnóstico não é possível de outra forma. Esse equilíbrio é adequado e respeita tanto a segurança quanto a necessidade clínica.
Outros exames de imagem odontológicos na gestação
A radiografia panorâmica (ortopantomografia) tem dose ligeiramente maior do que a periapical, mas ainda assim baixa e segura com avental de chumbo quando clinicamente indicada.
A tomografia cone beam (CBCT) odontológica, usada em planejamentos implantares e cirúrgicos, tem dose maior e costuma ser adiada para o pós-parto quando possível, reservada a casos em que o benefício clínico é claramente superior ao risco.
A Clínica Leveze, no Barreiro, orienta cada gestante individualmente sobre a necessidade ou não de exames de imagem durante a gestação, sempre com base na indicação clínica e no estágio da gravidez.
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