Respirador bucal na infância: o que causa e como tratar
A respiração bucal crônica — quando a criança respira pela boca de forma habitual e não apenas por obstrução nasal temporária — pode afetar o desenvolvimento facial, a postura, a mordida, o sono e o aprendizado. O tratamento envolve identificar e tratar a causa (geralmente rinite, adenoide ou amígdala aumentada) e corrigir as consequências bucais e posturais.
Como identificar a respiração bucal na criança
A criança respiradora bucal costuma dormir de boca aberta, roncar, babar no travesseiro e acordar cansada mesmo após uma noite de sono. Durante o dia, fica com a boca entreaberta, os lábios ressecados e, muitas vezes, com expressão de cansaço.
Outros sinais incluem olheiras, nariz entupido frequente (mesmo sem resfriado), voz anasalada, dificuldade de concentração na escola e crises repetidas de amigdalite ou otite.
É importante distinguir a respiração bucal situacional — que ocorre durante uma gripe — da crônica, que persiste por semanas ou meses. Apenas a crônica causa consequências estruturais.
O que a respiração bucal faz no desenvolvimento da criança
O nariz tem funções que a boca não consegue substituir: ele filtra, aquece e umidifica o ar inspirado. Quando a respiração se dá pela boca, o ar chega aos pulmões sem esse preparo, o que favorece infecções respiratórias.
No desenvolvimento facial, a língua em repouso deveria estar encostada no palato. Na respiração bucal, ela fica baixa, o que impede o estímulo mecânico necessário para o palato se desenvolver de forma ampla. O resultado pode ser palato estreito e ogival, apinhamento dentário e mordida cruzada.
Alterações posturais também são comuns: a criança avança a cabeça e curva os ombros para facilitar a passagem do ar, o que sobrecarrega a musculatura cervical e lombar.
Tratamento da respiração bucal na infância
O tratamento começa pela identificação da causa. As mais comuns em crianças são rinite alérgica, desvio de septo, adenoide (carne esponjosa) e amígdalas aumentadas. O otorrinolaringologista é o especialista indicado para essa avaliação.
Após o tratamento da causa, as consequências bucais e posturais precisam ser abordadas. O odontopediatra e o ortodontista avaliam a necessidade de expansão do palato e correção da mordida. O fonoaudiólogo trabalha a reabilitação da musculatura oral e o padrão respiratório.
Em alguns casos, especialmente quando a adenoide está aumentada, a cirurgia pode ser indicada. Quanto mais cedo o diagnóstico, menores as sequelas e mais simples o tratamento.
O papel do dentista no diagnóstico da respiração bucal
Na consulta de odontopediatria, o profissional observa sinais clínicos que sugerem respiração bucal: palato estreito, mordida cruzada, apinhamento dentário, lábios ressecados e postura lingual baixa.
Quando esses sinais estão presentes, o dentista orienta os pais e faz o encaminhamento adequado para a equipe multidisciplinar. O tratamento integrado entre dentista, otorrino, fonoaudiólogo e pediatra é o mais eficaz.
Na Clínica Leveze, no Barreiro, a avaliação de odontopediatria inclui observação do padrão respiratório e orientação sobre os passos seguintes quando há suspeita de respiração bucal crônica.
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