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Sono e saúde: o que acontece com o seu corpo — e com seus dentes — quando você não descansa bem

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Revisado por Dra. Thais Mattos, Cirurgiã-Dentista — Clínica Leveze · Atualizado em 16/06/2026
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Sono insuficiente ou de má qualidade eleva marcadores inflamatórios, compromete a imunidade, favorece o bruxismo e está associado à apneia obstrutiva — que, por sua vez, aumenta o risco cardiovascular. Cuidar do sono é cuidar da saúde integral.

O que acontece no corpo durante o sono

Durante o sono, especialmente nas fases mais profundas (NREM 3 e REM), o organismo realiza processos essenciais de reparação: síntese proteica e de colágeno, consolidação da memória, regulação hormonal (incluindo hormônio do crescimento e cortisol), e limpeza de resíduos metabólicos do cérebro pelo sistema glinfático.

Adultos precisam em média de sete a nove horas de sono por noite para que esses processos se completem. A privação crônica — mesmo que parcial, como dormir seis horas por noite por semanas — tem efeitos cumulativos na saúde física e mental que não são totalmente revertidos com um fim de semana de sono prolongado.

Sono, imunidade e inflamação

A privação de sono eleva os níveis de citocinas pró-inflamatórias como interleucina-6 e PCR (proteína C-reativa), marcadores associados a doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e doenças autoimunes. A imunidade específica também cai: pessoas que dormem menos de seis horas têm risco aumentado de infecções virais.

Para a saúde bucal, a inflamação sistêmica e a imunidade comprometida criam um ambiente favorável para o desenvolvimento e agravamento de doenças periodontais. Não por acaso, períodos de grande estresse com privação de sono frequentemente coincidem com episódios de gengivite e aftas.

Apneia do sono: o inimigo silencioso

A apneia obstrutiva do sono (AOS) é a interrupção repetida da respiração durante o sono por colapso parcial ou total da via aérea superior. Causa sono fragmentado, ronco alto, sensação de cansaço ao acordar, cefaleia matinal e sonolência diurna excessiva.

A AOS não tratada está associada a hipertensão, arritmias, infarto, AVC e diabetes. O dentista tem papel importante no diagnóstico e tratamento: dispositivos de avanço mandibular (DAM), fabricados sob medida, reposicionam a mandíbula para manter a via aérea aberta durante o sono e são uma alternativa eficaz ao CPAP para casos leves a moderados.

Sono e bruxismo: a relação direta

O bruxismo do sono ocorre principalmente nas transições entre os estágios do sono. Privação de sono altera o padrão de sono e pode intensificar esses episódios. Estresse emocional acumulado — frequentemente associado a dificuldade para dormir — é o principal gatilho comportamental do bruxismo.

Melhorar a higiene do sono (horário regular, ambiente escuro e fresco, sem telas antes de dormir, sem cafeína após o meio-dia) faz parte do tratamento completo do bruxismo, ao lado da placa miorrelaxante e do manejo do estresse.

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Dúvidas comuns

Perguntas Frequentes

Dormir de boca aberta prejudica os dentes?
Sim. A respiração bucal resseca a boca e reduz a produção de saliva, que tem função protetora antimicrobiana e remineralizadora. Boca seca crônica aumenta o risco de cárie, doença periodontal e mau hálito.
Roncar significa que tenho apneia?
Não necessariamente, mas o ronco alto e habitual é o sinal de alerta mais comum. Apneia é confirmada por polissonografia (exame do sono). Outros sinais suspeitos: acordar sufocando, sensação de sono não reparador, cefaleia matinal e sonolência diurna intensa.
O dentista pode diagnosticar apneia do sono?
O dentista identifica sinais sugestivos (como desgaste dentário por bruxismo, palato ogival, língua com marcas dos dentes e retrognacia) e encaminha para investigação com médico especialista em sono. O diagnóstico formal é feito por polissonografia.
Melatonina melhora o sono de forma segura?
Para distúrbios circadianos (jet lag, trabalho noturno) e em idosos com deficiência de melatonina, há boa evidência. Para insônia crônica, o efeito é mais modesto. É considerada segura para uso de curto prazo. Doses altas não são mais eficazes e podem causar sonolência diurna.
Qualidade ou quantidade de sono: o que importa mais?
Ambas são essenciais. Dormir oito horas com muitos despertares (baixa qualidade) não é equivalente a sete horas de sono profundo e contínuo. A qualidade depende do ciclo completo de sono, que inclui fases NREM e REM na proporção correta.
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