Sono e saúde: o que acontece com o seu corpo — e com seus dentes — quando você não descansa bem
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Sono insuficiente ou de má qualidade eleva marcadores inflamatórios, compromete a imunidade, favorece o bruxismo e está associado à apneia obstrutiva — que, por sua vez, aumenta o risco cardiovascular. Cuidar do sono é cuidar da saúde integral.
O que acontece no corpo durante o sono
Durante o sono, especialmente nas fases mais profundas (NREM 3 e REM), o organismo realiza processos essenciais de reparação: síntese proteica e de colágeno, consolidação da memória, regulação hormonal (incluindo hormônio do crescimento e cortisol), e limpeza de resíduos metabólicos do cérebro pelo sistema glinfático.
Adultos precisam em média de sete a nove horas de sono por noite para que esses processos se completem. A privação crônica — mesmo que parcial, como dormir seis horas por noite por semanas — tem efeitos cumulativos na saúde física e mental que não são totalmente revertidos com um fim de semana de sono prolongado.
Sono, imunidade e inflamação
A privação de sono eleva os níveis de citocinas pró-inflamatórias como interleucina-6 e PCR (proteína C-reativa), marcadores associados a doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e doenças autoimunes. A imunidade específica também cai: pessoas que dormem menos de seis horas têm risco aumentado de infecções virais.
Para a saúde bucal, a inflamação sistêmica e a imunidade comprometida criam um ambiente favorável para o desenvolvimento e agravamento de doenças periodontais. Não por acaso, períodos de grande estresse com privação de sono frequentemente coincidem com episódios de gengivite e aftas.
Apneia do sono: o inimigo silencioso
A apneia obstrutiva do sono (AOS) é a interrupção repetida da respiração durante o sono por colapso parcial ou total da via aérea superior. Causa sono fragmentado, ronco alto, sensação de cansaço ao acordar, cefaleia matinal e sonolência diurna excessiva.
A AOS não tratada está associada a hipertensão, arritmias, infarto, AVC e diabetes. O dentista tem papel importante no diagnóstico e tratamento: dispositivos de avanço mandibular (DAM), fabricados sob medida, reposicionam a mandíbula para manter a via aérea aberta durante o sono e são uma alternativa eficaz ao CPAP para casos leves a moderados.
Sono e bruxismo: a relação direta
O bruxismo do sono ocorre principalmente nas transições entre os estágios do sono. Privação de sono altera o padrão de sono e pode intensificar esses episódios. Estresse emocional acumulado — frequentemente associado a dificuldade para dormir — é o principal gatilho comportamental do bruxismo.
Melhorar a higiene do sono (horário regular, ambiente escuro e fresco, sem telas antes de dormir, sem cafeína após o meio-dia) faz parte do tratamento completo do bruxismo, ao lado da placa miorrelaxante e do manejo do estresse.
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