Cuidados com os pés para atletas e corredores
Atletas e corredores precisam de cuidados específicos com os pés porque o impacto, o atrito e a umidade dos treinos criam condições propícias para bolhas, unhas negras, encravamentos, calosidades excessivas e micoses. Prevenção e acompanhamento periódico com a podóloga fazem parte da rotina de qualquer esportista que leva a saúde dos pés a sério.
Principais problemas nos pés de quem pratica esporte
A corrida e atividades de alto impacto submetem os pés a forças repetitivas que, sem o cuidado adequado, geram uma série de problemas.
As bolhas são causadas pelo atrito da meia ou do calçado sobre a pele. As unhas negras (hematomas subungueais) ocorrem quando o dedo bate repetidamente na parte interna do tênis, causando sangramento sob a lâmina. O encravamento é favorecido pelo corte incorreto aliado à compressão do calçado esportivo.
A umidade constante dos pés — pelo suor intenso e pelas meias molhadas — é o principal fator de risco para micoses ungueais e interdigitais (frieira). Atletas têm taxa de onicomicose e tinea pedis significativamente maior do que a população geral.
Tênis: o calçado certo faz toda a diferença
O tênis ideal para corrida deve ter meia sola com amortecimento adequado para o tipo de pisada (pronada, supinada ou neutra), caixa dos dedos com espaço suficiente — pelo menos 1 cm entre o dedo mais longo e a ponta do calçado — e material respirável.
Tênis muito pequenos são a causa mais comum de unhas negras em corredores. Ao comprar, faça a prova no final do dia (quando o pé está levemente maior) e com a meia de corrida que você usa.
Substitua o tênis de corrida a cada 600 a 800 km, mesmo que aparentemente ainda esteja bom. A meia sola perde a capacidade de amortecimento antes de mostrar sinais visíveis de desgaste.
Meias: mais importantes do que parecem
Meias de algodão absorvem o suor mas retêm a umidade, mantendo os pés molhados por mais tempo. Para esporte, prefira meias técnicas de fibras sintéticas (poliéster, nylon, poliamida) ou lã merino, que transportam a umidade para a superfície sem deixar o pé encharcado.
Meias com costuras internas podem causar bolhas em treinos longos. Prefira modelos com costura externa ou sem costura. O acolchoamento nas regiões de maior impacto (calcanhar e metatarso) reduz o atrito e o risco de bolhas.
Como tratar bolhas em campo?
Pequenas bolhas sem tensão podem ser deixadas intactas — elas cicatrizam sozinhas em poucos dias. Bolhas grandes e tensas, que causam dor intensa, podem ser drenadas com agulha esterilizada, sem remover a pele (que serve de curativo natural).
Após drenar, cubra com curativo e monitore sinais de infecção. Bolhas que inflamam, aumentam ou produzem pus precisam de avaliação médica ou de podóloga. Nunca arranque a pele da bolha — isso expõe a ferida e aumenta o risco de infecção.
Prevenção de micoses em atletas
Secar bem os pés após o treino, especialmente entre os dedos, é o hábito mais eficaz contra micoses. Troque as meias imediatamente após o treino — nunca fique com a meia úmida por horas.
Em vestiários, piscinas e chuveiros coletivos, use chinelo sempre. Esses ambientes são altamente contaminados por fungos dermatófitos, responsáveis pela frieira e pela onicomicose.
Para atletas com recorrência de micose, a podóloga pode recomendar pós ou sprays antifúngicos para uso dentro dos tênis como medida preventiva.
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