Dedos em garra e em martelo: o que são e como tratar
Dedos em garra e em martelo são deformidades que fazem os dedos curvarem-se de forma anormal, criando pontos de pressão com o calçado, calos e dor. O tratamento depende se a deformidade é flexível (corrigível manualmente) ou rígida (estrutural), e varia de palmilhas e fisioterapia à cirurgia.
Diferença entre dedo em garra e dedo em martelo
No dedo em martelo, a articulação intermediária do dedo (articulação interfalângica proximal) se curva para baixo enquanto a ponta do dedo permanece reta ou levemente virada para cima. A 'corcunda' que se forma no dorso do dedo roça no teto do calçado.
No dedo em garra, tanto a articulação intermediária quanto a distal (perto da ponta) se curvam — o dedo fica completamente curvado para baixo, com a ponta tocando o chão. É mais associado a condições neurológicas.
Há ainda o dedo em maço (mallet toe), em que apenas a articulação distal se dobra. Os três causam calos, dor e dificuldade para encontrar calçados confortáveis.
Por que os dedos se deformam
Desequilíbrio entre os músculos que flexionam e estendem os dedos é a causa central. Calçados de biqueira estreita que comprimem os dedos por anos, pé cavo, pé plano e alterações neurológicas (como diabetes com neuropatia, polio, paralisia cerebral) contribuem para esse desequilíbrio.
A deformidade começa flexível — corrigível ao pressionar o dedo com a mão. Com o tempo, ligamentos e cápsulas articulares encurtam e a deformidade se torna rígida.
Dedo em martelo no 2.º dedo é frequentemente associado a hálux valgo (joanete) — o 1.º dedo desviado empurra o 2.º para cima e para o lado.
Sinais e complicações
Calos no dorso do dedo (pela pressão do calçado) e na ponta do dedo (pelo contato com o chão) são as manifestações mais comuns e dolorosas. Calos interdigitais — entre os dedos — também aparecem pelo atrito lateral.
Com o tempo, a articulação pode luxar ou desenvolver artrite, tornando o tratamento conservador menos eficaz. A dor pode limitar a caminhada e a escolha de calçados.
Úlceras sobre os calos são uma complicação séria, especialmente em diabéticos, pois a pressão constante sobre pele já endurecida pode causar lesão profunda sem dor percebida pela neuropatia.
Tratamento conservador
Em deformidades flexíveis, exercícios de alongamento e fortalecimento dos dedos (como pegar objetos com o pé, dobrar e esticar os dedos) ajudam a retardar a progressão. Fisioterapia pode incluir órteses noturnas de extensão.
Protetores de silicone para o dorso do dedo reduzem o atrito com o calçado, aliviando o calo. Palmilhas com coxim retrocapital diminuem a pressão no antepé que agrava a deformidade.
Calçados com caixa dos dedos alta e larga são fundamentais. Sapatos que não comprimem os dedos por cima eliminam a principal causa de dor no dia a dia.
Quando a cirurgia é indicada
Deformidades rígidas que não respondem ao tratamento conservador, dor intensa limitante, ulceração recorrente ou luxação articular são indicações cirúrgicas.
Os procedimentos variam de tenotomia (corte do tendão para liberar a flexão) a artroplastia (remoção de parte do osso) e artrodese (fusão da articulação). O ortopedista discute os riscos e resultados esperados com o paciente.
Após cirurgia, o podólogo tem papel no cuidado da ferida, remoção de suturas e reabilitação do calçado. Na Clínica Leveze, no Barreiro, BH, a Dra. Eliana Mattos trata os calos associados à deformidade e orienta calçado e proteções adequadas.
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