Diabético pode cortar a própria unha em casa?
Na maioria dos casos, diabéticos não deveriam cortar as próprias unhas em casa sem orientação de um profissional de saúde. A sensibilidade reduzida nos pés, comum na diabetes, aumenta significativamente o risco de pequenos cortes que não são percebidos e que podem evoluir para infecções graves.
Por que a diabetes afeta os cuidados com os pés?
A diabetes de longa duração ou mal controlada provoca duas complicações que tornam os pés vulneráveis: a neuropatia periférica e a doença arterial periférica.
A neuropatia reduz a sensibilidade nos pés — o paciente pode ter um corte, uma bolha ou uma pressão excessiva de calçado e não sentir nada. A doença arterial reduz o fluxo sanguíneo para os membros inferiores, o que compromete a cicatrização de qualquer ferida, por menor que seja.
A combinação de ferida que não é percebida com cicatrização lenta cria as condições para o pé diabético — condição grave que pode evoluir para infecções profundas e, em casos extremos, amputação.
Quais os riscos concretos ao cortar as próprias unhas?
O principal risco é o corte acidental na pele ao redor da unha, especialmente nas laterais dos dedos. Em pessoas sem diabetes, esse pequeno corte cicatriza em dias. Em diabéticos com neuropatia e circulação comprometida, pode se infectar e se aprofundar sem causar dor — o que retarda a busca por atendimento.
Unhas cortadas reto demais nas extremidades laterais também aumentam o risco de encravamento. Unhas encravadas em diabéticos são consideradas urgência podológica.
A visão comprometida, comum em diabéticos mais velhos devido à retinopatia, é um fator adicional que dificulta o corte seguro em casa.
O que o diabético deve fazer?
O ideal é que diabéticos realizem o corte das unhas exclusivamente com a podóloga, com frequência regular — em geral a cada 30 dias, podendo ser mais frequente dependendo do caso.
Se não houver neuropatia estabelecida, a circulação estiver preservada e a diabetes estiver bem controlada, o médico ou a podóloga pode avaliar se o corte doméstico é seguro para aquele paciente específico, com instruções detalhadas sobre técnica e instrumentos.
Nunca generalize: cada paciente tem um grau diferente de comprometimento. A orientação precisa ser individual.
Como um diabético deve inspecionar os próprios pés?
A inspeção diária dos pés é uma das principais ferramentas de prevenção para diabéticos. Examine os pés todos os dias — incluindo a planta e o espaço entre os dedos — em boa luz. Use um espelho de cabo longo se tiver dificuldade de enxergar a planta.
Procure sinais de vermelhidão, bolhas, calosidades, cortes ou alterações na cor. Qualquer anormalidade deve ser comunicada à podóloga ou ao médico sem demora, mesmo que não haja dor.
Cuidados básicos para o pé diabético
Hidrate os pés diariamente com creme específico, mas nunca aplique entre os dedos (o excesso de umidade nessa região favorece fungos). Use meias de algodão, sem costuras internas, e troque diariamente.
Nunca ande descalço, mesmo dentro de casa. Examine os calçados por dentro antes de calçar, verificando se há objetos ou irregularidades que possam machucar os pés sem que você perceba.
Mantenha o controle glicêmico em dia — a diabetes bem controlada reduz significativamente o risco de complicações nos pés.
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