Neuroma de Morton: o que é, sintomas e como tratar
Neuroma de Morton é um espessamento do tecido ao redor de um nervo digital do pé, geralmente entre o 3.º e o 4.º metatarso. Causa dor em queimação, formigamento e sensação de choque nos dedos. Não é um tumor — o nome 'neuroma' se refere ao espessamento do nervo, não a um crescimento maligno.
O que acontece no neuroma de Morton
Entre as cabeças dos metatarsos passam nervos digitais que dão sensibilidade aos dedos. Quando esse nervo é pressionado ou irritado de forma repetida, o tecido ao redor espessa como uma resposta de proteção — formando o que chamamos de neuroma.
O espaço entre o 3.º e 4.º metatarso é o mais afetado por ser anatomicamente mais estreito. Com a compressão crônica, a bainha do nervo aumenta de volume e passa a ser 'pinçada' a cada passo.
Mulheres são mais afetadas que homens, principalmente pelo uso frequente de calçados de biqueira estreita e salto alto.
Como reconhecer os sintomas
A dor é descrita de formas variadas: queimação, formigamento, dormência, sensação de choque elétrico ou de 'algo dobrado dentro do sapato' entre o 3.º e 4.º dedo. Piora durante a caminhada e melhora ao tirar o sapato e massagear o pé.
Ao apertar lateralmente o antepé (sinal de Mulder), é possível provocar ou intensificar a dor e até ouvir um clique — esse teste é parte do exame clínico.
Em fases iniciais, a dor aparece apenas com calçados apertados. Com a progressão, pode surgir mesmo em repouso ou com calçados confortáveis.
Diagnóstico
O diagnóstico é principalmente clínico, baseado nos sintomas e no exame físico. A ultrassonografia confirma o espessamento do nervo e ajuda a dimensionar o neuroma — o que orienta a escolha do tratamento.
A ressonância magnética é reservada para casos duvidosos ou quando se quer descartar outras causas de dor no antepé. O raio-X em si não visualiza o neuroma, mas serve para excluir fraturas e artrite.
É importante diferenciar o neuroma de Morton de metatarsalgia mecânica, bursite interdigital e síndrome do túnel do tarso, pois os tratamentos são distintos.
Opções de tratamento
A primeira linha é sempre conservadora: substituição do calçado por modelos de biqueira larga e baixo salto, palmilha com apoio retrocapital para reduzir a pressão sobre o nervo e anti-inflamatórios quando indicados por médico.
Infiltração com corticosteroide na região é um recurso eficaz quando a mudança de calçado e a palmilha não resolvem. Proporciona alívio duradouro em boa parte dos casos e pode ser repetida, com intervalo adequado.
Quando o tratamento conservador falha após meses de tentativa, a cirurgia para remoção do neuroma é indicada. A abordagem cirúrgica tem bons resultados, mas pode deixar dormência permanente nos dedos adjacentes — algo que o médico discute com o paciente antes da decisão.
Prevenção e cuidados no dia a dia
Evitar calçados de biqueira estreita e salto alto acima de 3 cm é a medida preventiva mais eficaz. Corredores devem garantir tênis com caixa dos dedos ampla e bom amortecimento no antepé.
Massagem nos espaços interdigitais com as mãos após longos períodos em pé ajuda a descomprimir a região. Não é tratamento, mas pode aliviar o desconforto.
Se a dor já existe, não retardar a avaliação — quanto mais cedo tratado, menor o espessamento do nervo e melhores as chances de resolução sem cirurgia.
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