Cuidados com os pés do idoso acamado
O idoso acamado ou com mobilidade reduzida enfrenta riscos específicos nos pés: circulação periférica mais lenta, pele ressecada e frágil, risco de úlceras por pressão e dificuldade de inspeção e higiene própria. A podóloga é parte essencial da equipe de cuidados desse paciente, atuando na prevenção de complicações graves.
Por que os pés do idoso acamado precisam de cuidado especial
Com a imobilidade, o retorno venoso nos membros inferiores piora significativamente. O sangue acumula nas pernas e pés, favorecendo edema crônico, que por sua vez fragiliza a pele e dificulta a cicatrização de qualquer ferida.
A pele do idoso já é naturalmente mais fina, seca e menos elástica do que a de adultos jovens. Sem movimento e com circulação comprometida, ela resseca ainda mais rápido e desenvolve fissuras com facilidade.
Unhas que não são cortadas regularmente crescem espessas, encurvam para dentro ou para baixo (onicogrifose) e podem lesar a pele dos dedos adjacentes. O idoso acamado muitas vezes não percebe a dor pela neuropatia associada a doenças como diabetes ou AVC.
Como prevenir úlceras por pressão nos calcanhares
O calcanhar é um dos pontos de maior pressão em pacientes acamados, junto com sacro e cotovelos. Úlceras por pressão (escaras) podem se formar em horas em pele fragilizada sobre superfície dura.
Posicione coxins ou protetores de calcanhar (espuma, gel ou lã sintética) para elevar os calcanhares da superfície da cama. A pressão não deve ser concentrada no calcanhar, mas distribuída ao longo da panturrilha.
O reposicionamento a cada 2 horas é o padrão de cuidado. Se o idoso não puder ser movido com frequência, use colchão de pressão alternada, indicado pelo médico ou enfermeiro.
Examine os calcanhares pelo menos uma vez ao dia. Vermelhidão persistente após mudança de posição é o primeiro sinal de lesão por pressão — procure a equipe de saúde antes que evolua.
Higiene e hidratação dos pés do idoso acamado
Lave os pés com água morna (verifique a temperatura com o cotovelo ou termômetro — o idoso pode não perceber calor excessivo) e sabão neutro. Seque com delicadeza, especialmente entre os dedos.
Aplique hidratante cremoso na sola e no calcanhar diariamente, mas nunca entre os dedos — a umidade nessa região favorece fungos e maceração.
Observe a pele entre os dedos: vermelhidão, descamação ou odor forte indicam micose, que se trata com antifúngico tópico indicado pelo médico ou podóloga.
O papel da podóloga no cuidado do idoso acamado
A podóloga faz o corte seguro das unhas espessas, trata calosidades e fissuras, avalia a circulação local e orienta a família ou o cuidador sobre os cuidados diários.
Em idosos com diabetes ou doenças vasculares, qualquer procedimento nas unhas ou na pele dos pés deve ser feito por profissional — o risco de infecção por corte acidental é alto.
A frequência ideal de atendimento podológico para idosos acamados varia de 30 a 60 dias, dependendo da velocidade de crescimento das unhas e das condições da pele. A Clínica Leveze, no Barreiro, pode orientar sobre a melhor periodicidade para cada caso.
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