Podologia na gravidez: por que os pés da gestante precisam de atenção especial
Durante a gravidez, o peso corporal aumenta, os pés incham, o centro de gravidade muda e a pressão sobre os pés é maior. Isso favorece dor, varizes, alteração da pisada e inchaço. A podologia na gestação é segura e recomendada para manter o conforto e prevenir complicações.
Como a gravidez afeta os pés
O ganho de peso ao longo da gestação aumenta a carga sobre os pés. O hormônio relaxina, produzido para preparar o corpo para o parto, também afrouxa os ligamentos dos pés, podendo provocar o achatamento do arco plantar e alteração temporária do número do calçado — muitas mulheres percebem que precisam de número maior a partir do segundo trimestre.
A retenção de líquidos (edema) é muito comum, especialmente no terceiro trimestre, e causa inchaço significativo nos tornozelos e pés ao final do dia. A pressão do útero sobre as veias pélvicas dificulta o retorno venoso, agravando o edema e favorecendo varizes.
O centro de gravidade deslocado pela barriga altera a pisada e a distribuição de peso, podendo causar fasciite plantar, dor no calcanhar e sobrecarga nos joelhos.
Problemas podológicos mais comuns durante a gestação
Edema nos pés e tornozelos: quase universal no terceiro trimestre. Em geral inofensivo, mas edema súbito e assimétrico deve ser comunicado ao obstetra (sinal de alerta para pré-eclâmpsia).
Dor no calcanhar (fasciite plantar): o arco achatado e o peso aumentado sobrecarregam a fáscia plantar.
Cãibras noturnas: frequentes nos membros inferiores, incluindo pés.
Calosidades aumentadas: o peso extra acelera o espessamento da pele nas áreas de pressão.
Varizes e telangiectasias (vasinhos): piora de varizes preexistentes ou surgimento de novas.
O que o podólogo pode fazer na gravidez
Corte e cuidado das unhas: especialmente no terceiro trimestre, quando alcançar os próprios pés se torna difícil ou impossível.
Remoção de calosidades: sem produtos químicos agressivos, apenas com instrumento mecânico.
Hidratação e massagem linfática: que ajuda a reduzir o edema e o desconforto.
Orientação sobre calçado: indicar modelos que acomodem o edema e suportem o arco sem pressionar.
Órteses plantares (palmilhas): para compensar a queda do arco e reduzir a dor no calcanhar.
Laserterapia e ozonioterapia (em regiões distantes do abdômen): podem ser utilizadas com precauções, a critério profissional.
O que evitar durante o atendimento podológico na gravidez
Produtos químicos para remoção de calosidades (ureia em concentrações muito altas, ácidos fortes): devem ser evitados ou usados com cautela, especialmente no primeiro trimestre.
Posição de decúbito dorsal prolongada (deitada de costas) a partir do segundo trimestre: pode comprimir a veia cava. O atendimento é feito com a gestante sentada em cadeira reclinada ou levemente inclinada para a esquerda.
Laserterapia diretamente sobre o abdômen: contraindicada durante a gravidez. Nas demais regiões do pé, avaliação individual.
Dicas práticas para as pernas e pés durante a gestação
Elevar as pernas acima do nível do coração por 15 a 30 minutos ao longo do dia reduz o edema.
Meias de compressão leve a moderada, especialmente para quem fica muito tempo em pé ou sentada.
Calçado com bom suporte do arco e tamanho que comporte o inchaço do fim do dia — não use calçado apertado pela manhã esperando que o pé fique grande.
Caminhadas leves e hidroginástica, se liberadas pelo obstetra, melhoram a circulação.
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